Parkour, Cinema e Grindcore!
Facing what consumes you is the only way to be free.

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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Estresse x Parkour x Obesidade

O estresse é um conjunto de reações psicológicas e físicas que se experimentadas em grande intensidade podem desregular o funcionamento do organismo. O estresse é um elemento comum à vida urbana contemporânea, e todos nós vivenciamos um pouco disso em nossa rotina diária, em maior ou menor grau.

O Parkour sugere ao praticante, através de sua filosofia, um embate à esse rítmo "non-breaking" imposto pelo sistema. Uma das primeiras lições no Parkour. Progresso passo-a-passo, comece aos poucos, por que a pressa?

O estresse pode relacionar-se a vários aspectos cotidianos, podemos sentir essa pressão e/ou angústia a todo momento. O trânsito cada vez mais caótico, estudos, trabalho, relacionamentos conflituosos (sociais, familiares...), desempenho sexual, aparência física, etc.

O tipo de vida que levamos atualmente, notavelmente, é muito diferente do tipo de vida que nossos pais ou avós levavam. Imagine-os com nossa idade ou imagine-se vivendo na epóca que eles tinham sua idade. Agora, imagine nossos antepassados da pré-história. A vida deles, basicamente, resumia-se à sobreviver. Matar ou morrer. Essa é uma situação limite de estresse.

Excetuando alguns casos particulares de incapacidade administrativa governamental ou social, não precisamos mais caçar nossos alimentos. Pelo contrário, cada vez mais o homem moderno (medíocre) procura a confortabilidade, comodismo. Estoca-se alimentos em geladeiras, sempre maiores; tudo pode ser feito no microondas; tudo é instantâneo, para não alterar o rítmo da rotina de atividades; fast-food. É possível até administrar as tarefas da cozinha por um computador no escritório.

E dessa maneira exercícios de uma década atrás são automatizados. Contabilize o gasto calórico de abrir e fechar o vidro do carro diariamente, indo e voltando de algum compromisso, se não tivessemos seu dispositivo elétrico; ou levantar do sofá toda vez que quisessimos zapear os canais de tv.

O fácil acesso a comida, a falta de exercícios e a pressão do dia-a-dia contribuem bastante à obesidade. Mas o caminho para uma vida saudável não está na radicalidade, fechar a boca e malhar. Deve-se encontrar um equilíbrio para tudo e mudar os hábitos de acordo com sua capacidade, disposição e objetivos.

É de conhecimento geral as complicações que uma pessoa muito acima do peso pode enfrentar: problemas cardíacos, diabétes tipo 2, resistência insulínica; tantos outros de caráter social, como brincadeiras de mau-gosto e preconceito; além de carências psicológicas e espirituais, como a própria depreciação, baixa auto-estima e mal-estar mental.

A ansiedade, relacionada à esses fatores, pode (e costuma) ser extravazada na comida. Reconhece-se casos em que as pessoas comem compulsivamente, para preencher algum vazio, ou sentimento de vazio, sem perceber ou identificar as causas.

Através de um treino de Parkour regular é possível equilibrar todos esses fatores. A medida que sua habilidade aumenta, aumenta também sua auto-estima e confiança. No treino, é preciso lidar o tempo todo com sua capacidade no presente. Independentemente, se você é capaz de realizar determinado movimento, é necessário que no instante que irá executá-lo você esteja capacitado para tal. Logo, o Parkour lida com nossas ansiedades e exercita nossa paciência, literalmente. Então esses vazios, vão se preenchendo com valores e questionamentos mais saudáveis.

Inclusive, após algum tempo de prática é normal que as pessoas mais interessadas analisem melhor seu comportamento alimentar, em busca de um melhor rendimento físico. Uma dieta balanceada e uma quantidade satisfatória de exercícios equilibram o humor de qualquer um. Ainda mais se somados com um bom descanso. Esses fatores necesitam a mesma parcela de atenção. Não podemos encarar os alimentos como o principal causador do aumento de peso, mesmo que só a preocupação de engordar possa apontar ao estresse. E nem relaxar e comer tudo o que quiser sem ficar atento à quantidade ingerida.

Devemos nos interessar na qualidade e especificidade funcional dos alimentos para ter um controle do peso e até para saber como melhorar o rendimento físico, no caso dos praticantes. Existem certos grupos alimentares para acelerar o metabolismo, ou desacelerá-lo, outros que auxiliam o desenvolvimento muscular ou regulam as funções do organismo, como o funcionamento do intestino, por exemplo.

Pense sobre seu comportamento alimentar hoje. Identifique alguma refeição que poderia ser melhor ou mais apropriada às suas atividades; alguma deficiência e/ou ingestão de "porcarias". Vale a pena fazer uma consulta com um nutricionista, se possível.

Encontre um tempo para cuidar da saúde agora, ou poderá ser obrigado a tirar férias forçadas mais tarde para cuidar de uma doença. Cuide-se. Valorize seu corpo.

Boa sorte e bons treinos.

Bruno Rachacuca.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Parkour livre de competições


Esse não é um texto recente eu sei, mas eu gosto muito de seu contúedo e na época que o Beto postou-o eu ainda não tinha um blog para apoair a idéia.
Então resolvi resgatá-lo novamente.

"Como muitos ja sabém, competições estão sendo formuladas, e esta campanha está sendo feita para mostrar por que somos contra competições. Não contra competições no geral, mas contra competições dentro do Parkour, ou Parkour em competições.
Segue abaixo um texto informativo e muito importante, elaborado com motivos discutidos no site Parkour.NET, mantido por franceses, e apoiado pelo próprio David Belle e sua associação.

Esta comunidade apoia o Parkour, não COMPETIÇÕES - Corra sem rivais

Os membros desta comunidade se unem firmemente contra a idéia de competições organizadas de Parkour, nossos motivos:


1.

Nós não acreditamos em elites.
Nós não acreditamos em nenhuma forma de seleção entre praticantes.
Nós não acreditamos na necessidade de nenhuma forma de hierarquia de performance entre praticantes.
Nós acreditamos que "o melhor" não significa nada no parkour, porque ganhar ou perder não significa nada na filosofia do Parkour.
Nós não aceitamos tal direção como parte da filosofia do Parkour.

Ao contrário, nós acreditamos na direção de que o treino deve sempre e apenas vir de dentro.
Nós nos esforçamos para sermos fortes para nós mesmos e ajudar outros, não contra pessoas, mas com e para outros.

Sendo assim, nós rejeitamos e desencorajamos qualquer forma de rivalidade entre praticantes.
Ao contrário, nós valorizamos respeito mútuo e solidariedade em progredir tal como indivíduos e como comunidade.


2.

Nós acreditamos que isso seja contra a filosofia do parkour, competir para ganhar algo ou conseguir alguma coisa de valor, tal como medalhas, troféus, dinheiro, fama, reconhecimento ou glória.
o mesmo vale para quem quer aparecer.

Ao contrário, nós tentamos fazer nossos atos serem sem preço, e beneficente para pessoas de fora.
Nós também procuramos por benefícios que todos possamos compartilhar
Nós somos quem dá algo, não quem recebe.


3.

Competições encorajam o sacrifício de sua saúde para conquistas mais rápidas, e alcançar um ranking que não tem valor verdadeiro.
Forçando competidores de elite à constante e repetidamente colocar em perigo seu mais precioso bem, a saúde, pela obsessão e obrigação da vitória, e qualquer outra direção consequente a isso, incluindo dinheiro, rank ou status, orgulho, e também contratos profissionais e patrocinio, e acordos comerciais remunerados.

Isso leva a competitividade dos praticantes e desbalancear seus treinos, focando apenas nas habilidades específicas necessárias para ganhar, levando a lesões crônicas.
Ignorando as negações oficiais, doping (uso de drogas estimulantes) é grande parte do tempo envolvido em todo nível de competições, envolvendo dinheiro ou não.
Nós acreditamos que as consequências físicas de competir em alto nível, vai contra a filosofia do parkour, no qual da enfatiza na moderação e na necessidade da resistência.

Ao contrário, parkour é humilde, paciente e uma disciplina de longevidade, e o corpo humano necessita de condicionamento incremental para assegurar sua resistência e longevidade.
Moderação é um valor verdadeiramente importante para o parkour, e indispensável quando se trata de se auto-preservar, e para que corpo crie sua resistência.
Assim, nós rejeitamos qualquer coisa que vá contra moderação e que agrida o corpo.


4.

Parkour não pertence a corporações, patrocinadores, mídia, e pessoas sentadas em casa para assistir.
Nós acreditamos em não aceitar atividades ou planos que abusivamente são chamados de Parkour, que mal uso do nome e destrói sua imagem para chamar atenção da mídia para algo que NÃO é parkour, ignorando a resistência da maioria da comunidade para tais intenções.

Ao contrário, nós afirmamos que parkour não é uma disciplina competitiva e que pertence a todos os praticantes, a comunidades locais, para times e amigos, e a raça humana como um todo.
Acreditamos que devemos nós unir contra a ambição que não reflete a original filosofia do parkour e que desrespeita a filosofia, e a comunidade do parkour.

Competições não são invevitáveis, são apenas outro obstáculo, apoie o parkour original, mantenha sua disciplina livre!."

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Parkour, Filosofia e Ética

“Já trazes, ao nascer, tua filosofia.
As razões, essas vêm posteriormente,
Tal como escolhes, na chapelaria,
A fôrma que mais te assente...”

(Mário Quintana)

É notável o interesse, de novos praticantes e traceurs, em definir uma filosofia para o Parkour.
Mas afinal, o que é filosofia? Não faz sentido algum discutirmos a filosofia sem ao menos saber o que a palavra significa. E o mais interessante é que ao tentarmos definir esse domínio chegamos a concluir que não existe apenas uma definição, mas várias. E além de várias, essas definições parecem contradizer-se. As vezes tenho a impressão de que o mesmo fenômeno acontece com o Parkour.

1. do dicionário de língua portuguesa¹:

Do Lat. Philosophia < style="">philosophía, amor ao saber
s.f.,ciência geral dos princípios e das causas
investigação dos princípios essenciais que supõem uma ciência particular;
doutrina filosófica;
razão, sabedoria;
força moral e elevação de espírito com que o Homem se coloca acima dos preconceitos;
amor ao saber.

2. do dicionário de filosofia²:

Do grego, amor ao conhecimento ou à sabedoria, a filosofia consiste no estudo das características mais gerais e abstratas do mundo, e das categorias com que pensamos: mente, matéria, razão, demonstração, verdade, etc. Em filosofia, são os próprios conceitos através dos quais compreendemos o mundo que se tornam tópico de investigação.

¹http://www.priberam.pt/dlpo/dlpo.aspx
²BLACKBURN, S.Dicionário Oxford de Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar. 1997. (trad. Danilo Marcondes).

Nota-se em comum pelo menos quatro definições gerais do que seria Filosofia:

1) Visão do mundo:
Aqui a Filosofia corresponde ao conjunto de idéias, valores e práticas pelos quais uma sociedade aprende e compreende o mundo e a si mesma.

2) Sabedoria de vida:
Aqui a filosofia seria uma espécie de contemplação do mundo e dos homens para nos conduzir a uma vida justa, sábia e feliz, nos ensinando o domínio sobre nós mesmos, sobre nossos impulsos, desejos e paixões.

3)Esforço racional para conceber o Universo como totalidade ordenada e dotada de sentido:
A Filosofia nessa definição procura discutir até o fim o sentido e o fundamento da realidade, e isso por esforço racional.

4)Fundamentação teórica e crítica dos conhecimentos e das práticas:
Capta a Filosofia como análise (das condições de tudo o que nos cerca), como reflexão (isto é, volta da consciência para si mesma para conhecer-se enquanto capacidade para o conhecimento, o sentimento e a ação) e como crítica (das ilusões e dos preconceitos individuais e coletivos, das teorias e práticas científicas, políticas e artísticas).

Essas quatro definições não estão totalmente corretas se analisadas isoladamente. Na verdade uma definição precisa só pode vir da união dessas quatro definições, pois a Filosofia é tudo isso.

E então, o que isso tem a ver com Parkour? O estudo da Filosofia do Parkour pressupõe-se em cima dos valores e características que formam a prática. O comportamento do praticante é mediado por um conjunto de observações intrínsecas ao contexto da disciplina, como uma doutrina. Seja na própria disciplina do praticante, que persiste em seu desenvolvimento, na repetição de exercícios e estabelecimento de novas metas ou em seu comportamento, que através dos valores estimulados pela prática, acaba por determinar ao traceur, uma postura ética.

Tanto a ética quanto a moral lidam com a idéia de valor, isto é, os valores que mediam nossas ações, nossos comportamentos e nosso modo de ver e de viver a vida. Entretanto, enquanto o domínio da moral reflete e diz respeito aos valores mais universais, mais plurais e comuns – aqueles que normalmente herdamos de nossos familiares ao longo de nossas vidas -, a ética corresponde à subjetivação e ao julgo dos valores morais. O que isso quer dizer? Subjetivar algo é tomar essa tal coisa sob um ponto de vista particular. Isso ocorre quando das normas gerais apreendidas desde que nascemos, filtramos certos valores que achamos mais pertinentes para nossas vidas. Essa atitude é um ato de subjetivação, pois o sujeito particular está agindo sobre determinada idéia, analisando e julgando se ela é coerente ou não.

Esse comportamento é exatamente o mesmo que nós realizamos, enquanto praticantes conscientes, traceurs. Tente lembrar de todas as lições provindas do Parkour que se aplicam à sua vida cotidiana. “Ser e durar” ou até mesmo “ser forte pra ser útil”, embora o lema seja emprestado do Método Natural. Ativar seu espírito altruísta, alimentar-se bem, exercitar-se. Ser responsável pelos próprios atos. Quando responsabilizamo-nos por nossos atos, assumindo nossos erros, também assumimos nossas conquistas. Treinar para si mesmo. Respeitar os próprios limites. Respeitar o próximo. O Parkour estimula essa consciência.

Para que haja conduta ética, pois, é preciso que exista o agente consciente, isto é, aquele que conhece a diferença entre bem e mal, certo e errado, permitido e proibido, virtude e vício. A consciência moral não só conhece tais diferenças como é capaz de julgar o valor dos atos e das condutas do agir em conformidade com os valores morais, sendo isso responsável por suas ações e seus sentimentos e pelas conseqüências do que faz e sente. Consciência e responsabilidade são condições da vida ética.

Acredito que o Parkour desperte esse tipo de atitude. Mas não dou créditos apenas para o Parkour, entendo que outras artes sejam capazes de despertar o mesmo tipo de sentimento em seus adeptos, artes marciais, por exemplo, quando praticadas de maneira séria, obviamente.

Agora a parte que acho mais relevante, as condições desse sujeito ético:

1) Ser consciente de si e dos outros, isto é, ser capaz de reflexão e de reconhecer a existência dos outros como sujeitos éticos iguais a ele;

2) Ser dotado de vontade, isto é, de capacidade para controlar e orientar desejos, impulsos, tendências, sentimentos (para que estejam em conformidade com a consciência) e de capacidade para deliberar e decidir entre várias alternativas ou caminhos possíveis;

3) Ser responsável, isto é, reconhecer-se como autor da ação, avaliar os efeitos e conseqüências dela sobre si e sobre outros, assumi-la bem como às suas conseqüências, respondendo, por elas;

4) Ser livre, isto é, ser capaz de oferecer-se como causa interna de seus sentimentos, atitudes e ações, por não estar submetido a poderes externos que o forcem e o constranjam a sentir, a querer, e a fazer alguma coisa. A liberdade não é tanto o poder para escolher entre vários possíveis, mas o poder para autodeterminar-se, dando a si mesmo as regras de conduta.

A meu ver, todas essas condições são facilmente aplicáveis ao comportamento e conduta de um legítimo traceur. Então, conscientize-se.

Agente consciente > sujeito ético > um traceur melhor > uma pessoa melhor.

Agora, pare de ler isto, desligue o computador e vá treinar.

Rachacuca.